Iansã - a Grande Guerreira

Oya é a grande guerreira, a divindade dos ventos, raios, das tempestades e senhora dos Eguns (espíritos desencarnados).


No sincretismo ela está associada a Santa Barbara. Ela foi esposa de Ogum com o qual aprendeu todas as artes da guerra e depois a principal esposa de Xangô, ambos tendo o fogo como elemento em comum.


Ela também é conhecida como Iansã, nome que recebeu de Xangô, que significa “a mãe do entardecer” que faz referência ao céu rosado poente, era como Xangô chamava-a, pois dizia que ela era radiante como o entardecer.


Na África ela era cultuada como a divindade do Rio Niger, o mais importante rio da Nigéria, atravessa todo país, espalha-se pelas principais cidades através de seus afluentes por esse motivo tornou-se conhecido com o nome Odò Oya, já que ya, em iorubá, significa rasgar, espalhar.


Iansã é uma yabá que traz movimento e transformação em nossas vidas é um orixá que nunca deixa as coisas como estão, pois ela está diretamente ligada ao elemento ar e fogo.


Assim como o fogo, Iansã é capaz de transmutar cada parte estagnada de nossas vidas e assim como o vento ela é capaz de trazer liberdade, inteligência, rapidez, entendimentos rápidos e mudanças consideráveis em todos os aspectos de nossas vidas.


Oya traz a tormenta da tempestade, traz o caos, a turbulência para que possamos nos movimentar e reconstruir.


Com seus raios corta tudo aquilo que não agrega mais valor em nosso cotidiano, com as águas das tempestades limpa tudo aquilo que não precisamos mais. Ela nunca elimina aquilo que é bom e estável e forte, sempre irá atuar no que não é bom e no que possa tirar a pessoa do caminho da paz.


Iansã é guerreira e nos ensina a ter força e coragem para passar por todos os obstáculos, ela traz a energia de conquista em todos os âmbitos de nossa vida, com seus ventos traz a bonança e com seus raios ilumina nossos caminhos.


Senhora dos Eguns, tem um papel muito importante no equilíbrio do planeta, pois ela é responsável pela doutrinação e encaminhamento dos espíritos desencarnados, ela faz cumprir as leis de Xangô.


Ela é a senhora dos mortos, traz a morte de crenças limitantes, bloqueios, dogmas e energias estagnadas e nos dá a oportunidade de renascermos e evoluirmos.


Faces de Iansã:



Iansã e Borboletas (créditos na imagem)

Borboleta – Conta-se que quando Iansã se transformou em Orixá, apareceu para Oxum em forma de Borboleta em tons de rosa.


Nessa forma Iansã representa a transformação, o renascimento, mudanças súbitas, a mulher graciosa, o poder feminino e a sedução.





Iansã e a faceta de búfalo (créditos na imagem)


Búfalo – Uma lenda diz que Ogum estava caçando e avistou um búfalo, quando ele estava pronto para atacar, o Búfalo parou e de suas peles saiu uma linda mulher,


Oya. Nessa forma Iansã representa a coragem feminina, abundancia, força, liberdade, espiritualidade, ancestralidade, sabedoria e proteção.










Itàn: Iansã ganha seus atributos de seus amantes


("Itàn" é o termo em iorubá para o conjunto de todos os mitos, canções, histórias e outros componentes culturais dos iorubás. Os Itàn são passados oralmente de geração a geração).


Iansã usava seus encantos e seduções para adquirir poder.


Conquistou vários homens e deles foi recebendo algum presente.


Com Ogum casou-se e teve nove filhos, adquirindo o direito de usar a espada em sua defesa e dos demais,


Com Oxaguiã, adquiriu o direito de usar o escudo, para proteger-se dos inimigos.


Com Exu, adquiriu os direitos de usar o poder do fogo e da magia para realizar os seus desejos e de seus protegidos.


Com Oxóssi adquiriu o saber da caça, para suprir-se e a seus filhos.


Aprimorou os ensinamentos ganhos de Exu e usou de sua magia para transformar-se em búfalo, quando ia em defesa de seus filhos.


Com Logun Edé, adquiriu o direito de pescar e tirar dos rios e cachoeiras os frutos d’agua para a sua sobrevivência e de seus filhos.


Com Obaluaê, adquiriu o domínio do reino dos mortos e o direito de conduzir os eguns.



Iansã e Xangô


Ao final de suas conquistas e aquisições, Iansã partiu para o reino de Xangô, envolvendo-o e apaixonando-se vivendo com ele para a vida toda.


Com Xangô, adquiriu o poder do encantamento, o posto da justiça e o domínio dos raios.


Refletindo sobre o Itàn, podemos observar que Iansã é uma Yabá que traz o poder feminino e o empoderamento, pois ela sempre foi destemida como guerreira, lutou e conquistou seus objetivos, aprendeu com cada Orixá masculino uma técnica diferente, para que ela pudesse ser plena sozinha, sem depender de qualquer um deles.


Ela nos ensina a liberdade de espirito, que todos nós podemos lutar e alcançar nossas metas.


Traz a energia de transformação, do desapego das coisas velhas para que coisas novas possam chegar, na lenda fala que ela passou um tempo com cada Orixá, se aprimorando, e em cada partida ela trabalhava o desapego, levava com ela os ensinamentos e as coisas boas, seguia seu caminho radiante e permitia que o novo pudesse adentrar, sempre em constante movimento, nunca ficando estagnada.





- Cores: Marrom, Vermelho e Rosa

- Saudação: Eparrey Oya (significa Olá com admiração)

- Dia da semana: Quarta-feira

- Elementos: Ar em movimento e Fogo

- Símbolos: Chifre de búfalo, Espada, Eruexin (bastão metálico com pelo de cavalo ou búfalo na extremidade)

- Oferendas: Flores Cor de rosa, laranja e vermelhas, acarajés, Manga, Pêra, Pêssegos, Romã, Pitanga, Mamão, velas brancas ou cor de rosa.


Minhas mais humildes reverencias!

Eparrey Oya!



Referências

As Sete Linhas da Umbanda: A religião dos mistérios – Rubens Saraceni – São Paulo: Ed. Madras, 2017;

As Cartas dos Orixás – Celina Fiovarani – São Paulo: Ed. Pensamento, 2009;

Mitologia dos Orixás – Reginaldo Prandi – São Paulo: Ed. Companhia das letras, 2001.

Notas sobre o culto aos Orixás e Voduns na Bahia de todos os santos, no Brasil e na antiga costa dos escravos, na África – Pierre Verger – tradução: Carlos E.M Moura – São Paulo: Ed. Universidade de São Paulo, 2012;

Tarô dos Orixás – Ademir Barbosa Junior – Ed. Anubis, 2015;

https://ocandomble.com/os-orixas/iansa/ Acesso em 10/09/2019




Juliane Camargo é membro do Clã dos Ioshins, grupo de estudos do Templo Polimata de Boituva, e também é pesquisadora de diversos assuntos relacionados às religiões de matriz africana.


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