Navarātri - Śrī Durgā e Śrī Mahākālī - Parte 1

Updated: Aug 28, 2019

Todas as Glórias à Śrī Guru Mahārāja Ācārya Mahāsūrya Paṇḍita Svāmī!

Todas as Glórias à Śrī Mahādeva!

Todas as Glórias à Śrī Bhagavan!

Todas as Glórias à Śrī Śakti Devī!

Todas as Glórias à Śrī Śrī Durgā e à Śrī Śrī Mahākālī!


दसाक्षरिमन्त्र

dasākṣarimantra

(mantra de dez sílabas para Śrī Cāmuṇḍā, o principal do Navarātri)


ॐ ऐं ह्रीं क्लीं चामुण्डायै विच्चे

om aiṃ hrīṃ klīṃ cāmuṇḍāyai vicce

“Reverencio-me Àquela que reúne as Potências e é Mahādevī, Àquela que destrói rapidamente a paixão e a raiva.”



Śrī Durgā e Śrī Kālī.

Neste mês de setembro, em nossos Templos, celebraremos o esplendoroso Navarātri em nosso Satsaṅga.


Trata-se do festival das nove noites (nava, nove; rātri noite, em sânscrito), que simboliza o caminho do aspirante espiritual através da jornada do (auto)conhecimento.


As manifestações femininas são o centro das festividades, uma vez que, de acordo com a tradição hindu, a realização do Absoluto – a suprema consciência desprovida de atributos – se dá a partir do mundo dos atributos – representado pelas deusas, a energia divina da Consciência Universal.


O desenvolvimento do culto à Devī, o aspecto feminino de Deus, se deu a partir de uma longa transformação de mais de 4.000 anos, através do hinduísmo védico pré-budista – onde os rituais (sacrifícios, austeridades) em si eram mais importantes do que as Deidades – à fase purāṇica pós-budista, quando o processo devocional (bhakti) tornou-se o pilar central da cultura.


Para ilustrar com maior clareza, é importante retratar brevemente o processo de evolução cultural na Índia.


Montando o cenário


A ideologia brāhmaṇica tem seu primeiro conjunto de obras escritas entre os séculos XII a IX aC, a partir da compilação do Ṛgveda, um texto śruti (“aquilo que foi ouvido”), fundamentado numa tradição oral muito mais antiga, de um conhecimento revelado pelo divino e transmitido, sucessivamente, de mestre para discípulo.


Adicionalmente, Sāmaveda, Yajurveda e Atharvaveda completam o grupo de manuscritos conhecidos como Vedas, que e envolvem os "deuses védicos", em sua maioria identificados com elementos e fenômenos naturais – como o ar, o fogo e a tempestade, por exemplo –, e apresentam conjuntos de soluções para manusear a realidade sutil a partir de elaborados procedimentos ritualísticos.


Tais obras são absolutamente complexas e fortaleciam o regime de distanciamento da população face aos assuntos religiosos e à vida espiritual, que dependia do intermédio de sacerdotes (brāhmaṇas) para interagir com o divino, baseando-se no ideário sectário do sistema de castas. De certa forma, tal processo é bastante similar à relação de dependência social, espiritual e material estruturada na Europa durante a Idade Média.


Mais adiante, entre os séculos IX a.C. e I d.C., surgem as Upaniṣads (termo que pode ser livremente traduzido como a “doutrina esotérica”), obras que tem por base filosófica a busca pelo Absoluto (ātman, brahman), realizando a essência comum em todos, independente da posição social, apresentando novos questionamentos e criando novas movimentações no âmbito religioso.


Paralelamente, há o surgimento do budismo, que emerge como alternativa ao exclusivismo do processo brāhmaṇico, convertendo grande porção de vaiśyas (casta detentora da riqueza material, representada basicamente por comerciantes e agricultores), que buscavam maior autonomia.


Entre os séculos III e XIII d.C., surgem os Purāṇas (“antigos”, em sânscrito), textos smṛti (elaborados com inspiração divina, mas estruturados pela mente humana; são a base da tradição Smarta) que representam o movimento de retomada do hinduísmo face ao budismo. São manuais que envolvem saúde, ciência, astrologia, religião, e que permitem – ainda que superficialmente – a inclusão social de outras castas no brāhmaṇismo.


No início da era cristã, os Sūtras (“aforismos”) manifestam-se como um gênero literário que trata de diversos assuntos, e que tem como característica principal a condensação da informação no menor espaço textual possível.


Posteriormente, por volta do século V d.C., surge o Tantra, baseado no culto da natureza (śakti), visando a integração do todo, e que desconstrói os conceitos de pureza sectária do brāhmaṇismo, sob a argumentação de que sem compaixão, não há evolução espiritual verdadeira.


Acima, Vedas, Upaniṣads, Purāṇas, Sūtras e Tantra são diferentes gêneros. As ideias presentes em cada gênero fluem em um processo de conexão evolutiva, de amplificação de ideias e conceitos. Portanto, nenhum dos gêneros deve ser menosprezado.


Por fim, devidamente contextualizados, podemos prosseguir fazendo referência à seguinte relação: de um lado, a manifestação masculina de Deus remete à consciência (imanifesto), enquanto sua contraparte feminina, remete à manifestação.




Yuri D. Wolf foi durante muito tempo, dirigente do Templo Polimata de Campinas, juntamente com Aline Wolf, e também, comandante da Cadeira de Hinduísmo.



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